CANTO E LÁGRIMA: VIDA INTENSA E NÃO REGIDA
"Regida demais, intensa de menos. Lágrimas engolidas pelos cantos da alma que não tem tempo pra sorrir, chorar, sentir. Mãe, irmã, filha, amante, dona de casa, esposa, profissional exemplo..." Relatos das várias mulheres que se escondem dentro de cada mulher, seu mundo, intocável para aqueles que só enxergam com os olhos da carne.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
EU QUERO
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
A hora do encantamento
Um susto! Que estranho!!! Havia mais um punhado de anos que precisara se desfazer dos adorados sapatinhos vermelhos de tão velhos, já sem cor, abrindo bocas famintas no solado.
De longe se ouvia, de repente, um LP tocando "A Valsinha" do Chico e depois a "Joana Francesa". Olhou para os lados. Não havia ninguém... E se houvesse? Fechou os olhos, abriu os braços e como que tomada pelo cavalheiro se pôs a valsar e depois a girar. Desligada de tudo o mais, testemunhada pela brilhante amiga redonda.Obedeceu ao Chico e abriu os olhos.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
1º ensaio sobre as cores: BRANCO
O Branco cansa, engole, domina e não tem voz. Ele só PODE. Pode tudo sozinho, misturado ele não é mais..!
Ele sufoca, castra. Ele determina os limites, ele gosta dessa sua missão de Bedel das cores e carrega a arrogância das almas NÃO prontas, NÃO vividas, NÃO sentidas.
O Branco é puro imaculado! O casto! O sem crimes nem pecados! O sem vida!
Ele é bruto, grosso, dono de todas as verdades e normas e é doce, suave, confortável, disponível... Fácil... O Branco é a arrogância da solidão da prostituta! A prostituta carrega todas as cores e nenhuma! A menina, a mulher solitária e a bailarina têm as cores que o Branco não respeita. A prostituta carrega o desrespeito. O Branco é a arrogância do medo!
É tudo isso até cruzar a primeira cor! Aí vem a mácula, aí vem o escárnio... em sua alma de puta o Branco chupa a cor até ela perder vida, cansa explora, fode com a cor e depois declara: Melhorei ela, suavizei!
O Branco é a puta do Preto. Filho de puta não nega o pai, filho de Preto com Branco é Cinza, e Cinza é cor! Cinza carrega curiosidade, carrega vida, melodia... Tá bom que não é um Vermelho, um Azul, um Amarelo vivos ou mortos mas Cinza é a cor das sandálias da bailarina. Quer mais vida!!?
Cinza é a vida escondida, inesperada... Cinza é a salvação do Branco!
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
FURTA COR
De dentro... Ah, de dentro não tinha que seguir regras,
fechava os olhos e ia onde bem entendia, chegava a sentir a pele do moço bonito
dos olhos furta cor. Furtou seu coração! Partiu com ele, viu um mundo
incrível pintado de cores que ficam bem no meio. Sempre uma coisa no meio: o
peito - "cheio de amores vãos" - uma menina, uma mulher, uma tonelada de
sonhos e aqueles olhos... E aquelas cores... Parece que não era pra ter cor, mas de repente as cores vêm como atraídas pela falta de si mesmas... Nada cinza, nada pastel... Elas puxam vida! Rodam, levam a menina àqueles olhos e lá ela dança, ela simplesmente entra na cabeça dele e dá piruetas.
O corpo esfria, a veia se recolhe e o coração fecha as
cortinas e a janela também... A menina que dança vai acordar e rebolar pra
chegar na hora ao escritório... sábado, 21 de setembro de 2013
SER
Uma veia se levanta e ergue um rio de cores e flores onde nadam tantas coisas que sangue é apenas fluido de emoção para o coração e os órgãos respirarem. O resto é verde, da cor das folhas do cerrado depois da primeira chuva. Vermelho, laranja, roxo, rosa e dourado como o pôr do sol dos dias frios em que o céu toma uma infinidade de cores improváveis. Cinza e prateado como a lágrima e a fita da sandália da moça bonita que dança dança dança, rodopia no funil do ciclone, quando o temporal se acha bailarina...
Relógios parados enfeitam as paredes e correm nelas bicicletas, patins, bolinhas de gude, pipas, pranchas, asas deltas, gamas, betas, alfas... sem ninguém na frente, só as coisas personificando universos impossíveis mas que aqui existem sem tantas amarras do pode ser...
QUE NÃO SEJA SENDO!!!
Um céu sentando na nuvem que cai em cachoeira dentro da menina que muda de cor, no olho do furacão doce, lento e macio, como a brisa fresca da mais gostosa noite de verão do pólo sul, a oeste da grama rosa de algodão doce...
E por que não? Afinal, aqui tudo PODE, tudo QUER, todo NÃO é AO CONTRÁRIO e todo contrário é mais belo que o feio jamais visto, tocado ou lembrado...
Perspectivas se cruzam perpendiculares, côncavas e convexas, sem lentes, apenas para passear!
Passam passageiros e ninguém vê ninguém só sente, e se move, e toca o inexistente nesse mundo mágico de não ser sendo pra não ter que ser alguma coisa que de tanto tentar nunca é...
Texto de minha autoria numa tarde triste e ociosa... Carolina Gobbi - Outubro de 2012
terça-feira, 4 de março de 2008
Canto e Lágrima: Vida Intensa e Não Regida
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(Carolina Gobbi)
Regida demais, intensa de menos. Lágrimas engolidas pelos cantos da alma que não tem tempo pra sorrir, chorar, sentir. Mãe, irmã, filha, amante, dona de casa, esposa, profissional exemplo não reconhecida. Cabelo impecável, roupas impecáveis, casa impecável, jantares impecáveis, lingerie impecável, relatórios impecáveis.
Tempo...
Tempo pra ser amada. Tempo pra amar. Tempo... Mentiras, amores desfeitos, amantes perfeitos, molejo, peitos, desfecho. Amores? Respira!!! Sem tempo. Sem jeito. Sem peito. Sem coração no peito. Amar sentir gozar... Desfeito! Despeito! Bem feito! Não dá! Não tem outro jeito!!!
Sentir dói. Ninguém sente. Falta tempo. Sentir sozinho dói. Sentir solidão dói. Sentir, amar, querer, gozar, brincar, brindar, perder, sonhar, partir, frustrar. Tempo demais dói. Tempo demais mata a mentira. Tempo demais traz verdade. Traz medo. Traz sabor. E amarga, e engasga, e sufoca, e mata...
Tempo...
Sem tempo. Não pensa! Faz. Faz! Tem que fazer!!! Filhos, amigos, parentes, amantes, maridos, faxinas, comidas, manicures, pedicures, escritórios, ex-clitóris, amores mal-feitos, happy-hours, bebidas, sexo, cigarros, sexo... Lágrimas perdidas num canto da noite sem orgasmos. Um canto sem tempo. O cantinho molhado em que o tempo pára...
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Fantasia
Angústia
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(Carolina Gobbi)
Esta ausência que dói em meu corpo
Esta busca incessante
Esta culpa, este peso morto
Esta Nua no céu, brilhante
Este mel, fel de saudade
Esta boca, fria, ressecada
A solidão escandalosa da cidade
O vento forte e triste na sacada
Invade a varanda do meu ser
Cala a multidão e vem me ter
Molha estes lábios acre doces
Cobre este corpo, veste com você
Deixa leve, faz ciranda
Pára tudo e preenche esta distância
Já não quero, agora basta!!!
Abandono a dor de não te ter
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Perto do Fogo
Carolina Gobbiquinta-feira, 26 de julho de 2007
Morangos e cinta-liga
Aline Fernanda
Solidão Acompanhada
Carolina Gobbiquarta-feira, 18 de julho de 2007
Brinquedo de papel marché

Aline de Oliveira
Tem coisas que realmente são boas demais pra ser verdade.
Por um instante o brinquedo de papel marché creu que realmente nada poderia desbotá-lo.
Ele creu na esperança, aceitou a realidade da ilusão
E deixou-se invadir e inundar tingindo-se das radiantes cores da alegria e do sonho que parecia tão real.
Nunca fora tão feliz.
O brilho dos seus olhos, qual um farol, poderiam iluminar qualquer escuridão, afastando toda tristeza...
Foi-se o riso...
O brilho dos olhos se esvaiu...
O colorido brinquedo de papel marché desbotou.
O que houve?
Será que não era mesmo pra ser?
E se era pra acabar, pra que começar?
Dúvidas que vieram tingir de cinza solidão os dias que eram coloridos pelas radiantes cores da alegria.
Foi-se o canto, resta o pesar.
A necessidade de consertar...
Necessidade desconcertante...
Necessidade frustante...
Necessidade que não vai dar para saciar...
Necessito.
Necessito mesmo?
Não.
Eu sei que não... mas quero ter a ilusão.
Pra que?
Ora se eu não quero saber que te interessa perguntar-me.
A doçura esquivasse ante a presença agressiva do desprezo...
Tenta contra-argumentar, ou pelo menos suavizar um pouco as coisas, mas o desprezo e a impassividade não costumam andar sozinhos, geralmente trazem companhia, e a doçura finalmente é vencida.
Doçura vencida, sai de cena e chora pelo brinquedo de papel marché que fora desbotado...
A doçura não pode agir sozinha... sente-se frustrada, fracassada, pois não consegue impedir a fúria da impulsividade nem o ímpeto da dúvida... e após a devastação causada pela rejeição, doçura sente-se tão fraca que não é capaz sequer de acalentar o pequeno, frágil, só e desbotado brinquedo de papel marché.
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Esquecimento
Carolina GobbiEnquanto eu ainda era um feto
Imaginava o que seria o mundo
Imaginava como ele seria perfeito
Os sonhos cresciam dentro de mim
Como uma nuvem que chove pra chegar ao mar
Antes de vir ao mundo já aprendera a viajar
Visitava um mundo que era...
Não sei, acho que esqueci...
Um dia enfim abri meus olhos
E ouvi minha própria voz... e chorei...
Tive, quando nasci, minha primeira desilusão
Então dormi e logo comecei a sonhar de novo
Mas cada vez que olhava para fora de mim
Vinha de dentro um forte e doloroso grito
As lágrimas só cessaram à medida que esqueci
A cada segundo esquecia de um sonho
De uma esperança, de momentos que vivi
Eu já em acostumara com o mundo em que nasci
Quando criança aprendi a viver aqui
Os sonhos recomeçavam a fluir
Agora como rios, grandes rios
Formados por nuvens que chovem pro mar
Mar feito das lágrimas
As lágrimas que chorei quando... esqueci...
Finalmente cresci!
Era agora uma mulher
Aprendera a perceber a hora de sorrir
Aprendera agora a não me permitir chorar
Mas flutuava num infindável mar
De lágrimas que em muitos sonhos colhi
Sonhos não realizados... Sonhos que esqueci...
Flutuando no único sonho
Que consegui realizar
Vou terminando meus dias
Escrevendo sobre sonhar
Volto agora a ser um ‘feto’
A imaginar o mundo de lá
Só que agora sei que quando eu tiver ido
Tudo o que é meu... Tudo o que sonhei...
Tudo o que escrevi e escreverei...
Será esquecido!
Primavera de 94

Aline Oliveira
Primavera de 94
Mudei-me da Qd 12 pra Qd 2.
Resignada... revoltada. Eu tinha toda uma história naquela quadra que eu morava...
Na casa ao lado uma menina super simpática, risonha e falante me apresenta ao pessoal da rua.
Pessoalzinho mais ou menos. Desconfiava de tudo e todos. Rua estranha dividida em começo da rua, meio e galera do quadradão... coisa estranha. Na 12 era a rua inteirinha unida. De uma ponta a outra da quadra.
E ele?! Sequer notou minha presença...
A menina falante me apresentou a ele, mas ele sequer chegou a fitar-me os olhos.
Preparativos pra Copa...
Maravilha... A menina falante e os outros da rua já podiam ser chamados de amigos. E eu os via realmente como amigos. Todos nós envolvidos em enfeitar a quadra e fazer vaquinha pra comprar td que seria consumido durante os jogos. Telão de um na parede de outro, com som de outro, e todo mundo unido. Até o irmão que nem olhava nos meus olhos agora já conversava comigo... Sim acho que estávamos perto de uma amizade... Mas eu continuava sentindo aquela sensação horrorosa cada vez que ele chegava perto.
Brasil ganhou. Felicidade.
Em comemoração à vitória fomos para a chácara dos pais da menina falante e sorridente que se tornara minha mais nova melhor amiga. Além dos pais dela e nós, foram também o vizinho da esquerda que era o melhor amigo do irmão dela,e claro, pra meu desespero, confusão e felicidade, o irmão dela.
Meu Deus, nunca tinha ficado tão feliz em estar espremida no banco de trás de um carro. Foram o pai e a mãe dela no banco da frente e nós quatro no banco de trás. Eu bem pertinho dele, encostadinha nele e de novo aquela coisa que me espremia o estômago e me tirava o ar voltava a me atormentar.
Que coisa estranha era essa que eu não sabia descrever nem controlar? Sei que todo mundo falava comigo e eu não conseguia fazer nada além de implorar pro meu coração bater mais devagar e mais baixo um pouquinho pq a impressão que eu tinha era que todo mundo tava escutando ele acelerado e tão desesperado quanto eu.
E surge a proposta tentadora da minha mais nova melhor amiga e cúmplice de todas as minhas novas experiências. Era chegada a hora de mais uma. "Vamos experimentar Cuba-libre?" - perguntou ela. Hesitei a princípio, mas quando lembrei da dor avassaladora que me consumia, decidi que não havia melhor hora. Já no terceiro copo daquela mistura meio doce, meio amarga, eu sentia que começava a perder o absoluto controle sobre alguns órgãos do meu corpo. Além de alguns músculos, tecidos e membros. Os braços, que já não eram tão fáceis de controlar por causa de seu tamanho que aumentava dia a dia, tornaram-se ainda mais desastrados e minha cabeça, já normalmente muito confusa e agitada, agora inventava rodopios que só eu percebia. Tomei mais uns copos, desta vez com um pouco mais de pressa, na esperança de me livrar destas novas sensações, mas que para minha infelicidade fizeram aumentar a intensidade de tudo que eu estava sentindo e, debaixo de uma lua cheia e iluminada, resolvi me aproximar daquele que fora ao mesmo tempo meu herói e meu vilão. Eu só havia esquecido dos sintomas que me acometiam cada vez que eu me aproximava dele. E assim como o Super-Homem não se controlava quando exposto à terrível pedra, assim eu, não pude controlar as palavras que saíam da minha boca. Muitas delas quase inaudíveis, por causa do leve adormecimento que tomou minha língua, e então, zonza, proferi um:
-Eu to apaixonada por você... e quero um beijo.
- Sinto muito, linda. Não posso fazer isto com você. Não quero que você sofra, mas não seria justo receber este seu carinho sendo que meu carinho pertence a outra menina.
Nessa hora, aqueles sintomas que sempre aparecem quando me aproximo dele voltaram. Então minha cabeça começou a girar e que vontade de chorar. Que vontade de sair correndo. Meu estômago estava sendo espremido e, não!!! Oh não!!! Tantas emoções misturadas a tantas cubas só podiam ter um desastroso resultado. Pelo menos tudo, absolutamente tudo, que estava me incomodando até aquele momento coloquei, literalmente, pra fora.
Vergonha, conheci o verdadeiro significado desta palavra nesta noite. Mas eu pelo menos estaria em contato com ele por um bom tempo, ainda que indiretamente. Ou pelo menos algo que saiu de mim estaria.
-Ele está se limpando depois do banho de líquidos indistingüíveis que você deu nele.
Ai que horror. Foi de verdade. Aquilo realmente aconteceu.
Tentei me restabelecer e fomos para o quarto dormir. Todos nós dormindo no mesmo quarto. Eu, meu herói/vilão, o vizinho e minha melhor amiga. No meio da noite um frio tenebroso misturado ao meu choro de vergonha e desalento fazem minhas cobertas tremularem. E mais uma vez ele veio me salvar. A despeito de todas as coisas horrendas que aconteceram durante o curso daquele dia, ele dividiu sua coberta comigo. Eu nunca dormira tão feliz até aquela noite.
Inverno de 2007.
Vários acontecimentos nos afastaram, mas de uma forma ou outra sempre estivemos próximos. Até que num despretensioso jantar de reencontro voltam todos aqueles sintomas há muito esquecidos. E desta vez, pelo menos, eu estava mais sóbria que da primeira. Mãos que brincam, rostos próximos, respiração quente e gostosa, um beijo que me leva ao passado como num túnel do tempo e me traz de volta ao futuro, carregando, impregnado em mim, todos aqueles sentimentos que inundavam aquele coração tão ingênuo e imaculado pelas paixões.
Que situação diferente. Agora não sou eu que peço. É-me roubado. Mas que belo presente de dia dos namorados. Hoje já não mais uma menina. Nem tão imaculada. Mas incrivelmente ele permanece herói. Preocupa-se tanto com o fato de não poder ter me protegido de todos os outros perigos da vida. E eu continuo, ali, sem falar nada, apenas fitando-o, observando este jantar à luz de velas regado a vinho tinto, ao som de uma voz feminina e melodiosa que toca algumas músicas românticas, rindo penso comigo mesma:
- Como o mundo dá voltas...





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